Há dores que começam cedo e se prolongam por toda uma vida. A de Maria do Céu durou quase 30 anos.

Maria do Céu viveu com depressão durante quase 30 anos. Tudo começou na infância, com o bullying. Isolava-se cada vez mais e carregava uma grande carência afetiva — e era essa carência que a empurrava ainda mais para o isolamento. Não tinha amigos, não conseguia encontrar ninguém que gostasse dela.

Entretanto, casou. Mas o vazio que sentia continuou a crescer. Chegou a envolver-se com o oculto, pensando que se ajudava, quando na verdade se prejudicava ainda mais. A certa altura, já não tinha forças para nada — nem para cuidar do filho, que amava, nem da casa.

Procurou ajuda médica e foi medicada para conseguir dormir, porque vivia com um terror profundo da noite. Mas o sono só vinha de madrugada — precisamente quando tinha de ir trabalhar. Vivia exausta, num stress extremo que acabou por destruir o seu casamento.
Com o divórcio, o vazio aumentou. E surgiu a vontade de pôr fim à vida. Um dia, num 9.º andar, aproximou-se da varanda a pensar que assim tudo acabaria. Mas algo a fez parar: já tinha ouvido dizer que não era esse o caminho. E, em vez de desistir, decidiu pedir ajuda.

Encontrou apoio em mulheres que também tinham vencido a depressão. Foram elas que a orientaram e lhe mostraram um caminho que desconhecia.
Hoje, Maria do Céu venceu. É feliz, é casada, e o filho também é feliz. A escuridão e o medo da noite ficaram para trás — agora dorme em paz. Deixa o seu agradecimento às voluntárias do grupo Saindo da Depressão.

“Hoje eu sou feliz. Não tenho problema, não tenho medo, não tenho nada. Venci.”

Maria do Céu